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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Copa de 2014: qual a música, maestro?

Por Fabiana Cozza



A apresentação de Ivete Sangalo junto à Orquestra de Heliópolis e Daniel Jobim e seu trio durante o sorteio para as eliminatórias da Copa de 2014 me deixou com uma “pulga” atrás da orelha: qual será nossa identidade musical diante das lentes do mundo na abertura do maior acontecimento do planeta?
Não estou aqui propondo uma discussão em torno da qualidade necessariamente dos artistas que serão (ou já foram) selecionados para o evento. A pergunta é: qual o nosso passaporte musical, nosso RG, nossa cara em notas? Que música será esta que representará toda uma nação diante de milhares de estrangeiros que não sabem quem realmente somos?
Se fizéssemos uma eleição popular para escolher um repertório talvez teríamos os “hits” nacionais nas vozes de duplas sertanejas, grupos de pagode romântico e axé ocupando disparado as primeiras colocações. Minha suspeita está baseada na programação de emissoras de rádio de maior alcance, sustentadas ainda hoje pelo velho “jabá”. Pagou, tocou. Caso isso fosse verdade, esta escolha não deixaria de ser legítima tendo em vista a massificação pela ditadura do gosto das falidas, mas não mortas, gravadoras de grande porte e da mídia.
Mas seria esta nossa real identidade nacional? Será que nessa votação teríamos uma biografia aproximada de nós mesmos, de nossa herança e “persona” musical? Ou estaríamos reproduzindo nossa condição indefesa de consumidores massificados?
Não acredito que escolhermos um gênero fosse um caminho honesto para esta representação/apresentação. Tampouco acho justo que os artistas escolhidos reproduzam seus trabalhos na abertura. Ali, o “João” não será o “João” mas sim outros 170 milhões de “Joãos”. É imprescindível e quase que um instinto de preservação que o consenso não exista, tampouco uma resposta pontual para a minha pergunta já que é impossível dimensionar esta identidade numa terra que cria: carimbó, xote, xaxado, tambor de criola, ciranda, cacuriá, ijexá, moçambique, congada, chula, milonga, tambú, jongo, caboclinho, guitarrada, toada, boi, samba-de-roda, partido alto, samba-enredo e tantas outras manifestações artístico-musicais.
Minha esperança e torcida é que não vendam “gato por lebre” na abertura. Não americanizem nosso canto, não tirem o colorido de nossas roupas, não assassinem nossa ginga e suingue, não me venham com artistas insípidos e inodoros. Porque aí vai ficar muito, mas muito feio.

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